Lili - Update

terça-feira, 23 de março de 2010
Hoje a Lili foi a uma consulta de rotina ao veterinário.

Depois da grande operação, era preciso monitorizar o estado dela de seis em seis meses, para ver se apareciam mais nódulos na barriguita. Em Setembro de 2009 voltámos lá para tirar um RX e estava tudo bem.

Em Março de 2010 teria de regressar para os mesmos fins. Foi por isso que hoje fui lá com ela. A primeira surpresa foi a conta. Eu esperava gastar trinta e tal euros (consulta + RX), mas a cantiga desta vez foi outra. Fizeram-lhe análises ao sangue (tiveram de a sedar, ela não deixava tirar sangue), além de terem feito o RX.

O RX estava bom, o que é óptimo. Os primeiros doze meses após a cirurgia eram cruciais para ver se apareciam mais nódulos. Mas a operação foi bem feita e não ficou para trás nenhum tecido cancerígeno.

Quanto às análises... a menina já começa a dar sinais de insuficiência renal. O caso dela não é grave, olhando para ela é uma gata linda, nem parece que vai fazer 17 anos em Agosto que vem. Daí que a importância das análises seja tão grande. Graças a este procedimento pudémos ver que já era necessário começar a tomar medicação para melhorar o funcionamento dos rins.

O Dr. Cláudio (o dono da clínica, que é o veterinário da Lili - quando marco consultas tento sempre que seja com ele, porque ele é que a tem seguido desde a cirurgia) explicou-me que a insuficiência renal é a principal causa de morte dos gatos adultos geriátricos, de forma que é muitíssimo importante que se façam análises regulares ao sangue, para que se apanhe esta doença crónica nas suas fases iniciais, podendo assim prolongar a vida (com qualidade) do animal.

Ou seja, mais medicamentos. Mais despesas. Como se não bastasse a conta do veterinário hoje (consulta + RX + dois tipos de análises + sedativos + medicamento = 117 euros e picos), teremos de gastar 25 euros mensais durante pelo menos seis meses, até à próxima consulta, num medicamento específico para os rins chamado Rubenal 75.

Daqui a seis meses serão repetidas as análises ao sangue (não o RX - como já referi, os primeiros 12 meses eram críticos, mas daqui para a frente basta fazer este exame anualmente), e se os niveis de ureia e creatinina baixarem ou se mantiverem estáveis, pode ser que se reduza a dose de Rubenal, e assim este passe a durar o dobro do tempo.

Além disso, temos de pensar em começar a dar-lhe uma dieta específica para poupar os rins. Que, como seria de esperar, é cara. A juntar a isto, temos três gatas. Dar comida diferente a umas e a outras é complicado, a menos que se façam refeições a horas certas - o que, cá em casa, não é o que se passa. Nós deixamos a ração nas tacinhas e vamos enchendo à medida que ela vai desaparecendo - é comer à vontade.

Eventualmente penso que teremos de alterar isto, e assim a Lili poderá beneficiar de uma dieta mais apropriada à sua condição - o que, a médio e longo prazo, funciona até melhor que a medicação. Este tipo de ração, explicou-me o Dr. Cláudio, difere da ração normal nos seus componentes. Além de ter menos proteína (que se sabe não ser a melhor coisa para os rins), a proteína nela existente é hidrolisada, como nas rações hipoalergénicas. Além de conter muito fósforo, entre outros nutrientes, muito benéficos para os rins.

É assim a vida. Tal como os humanos, os nossos amigos de quatro patas envelhecem, e com a terceira idade vêm os problemas de saúde, as doenças crónicas e as toneladas de comprimidos e suplementos diários.

Até temos tido muita sorte. Até ao ano passado, a Lili tem vivido uma vida saudável e sem grandes complicações. O facto de um gato chegar aos 15 anos com uma saúde de ferro é um óptimo sinal. Ela é muito forte, e o doutor disse que, imaginando que os rins dela iriam parar de funcionar daqui a um ou dois anos, a medicação poderia atrasar a sua falha por mais um ano, por exemplo. É difícil definir uma data, mas sabemos que a evolução desta doença costuma ser lenta. A medicação atrasa-a ainda mais, o que, aliado ao facto de a termos apanhado nas fases iniciais, nos dá bem mais tempo com a nossa menina.

Ela está óptima, tem um aspecto jovem e, olhando para ela, ninguém diria que daqui a pouco fará 17 anos.


Então e os nossos vizinhos?

quinta-feira, 4 de março de 2010
Esta semana, não sei precisar o dia, vi um documentário interessantíssimo no canal Odisseia.

Era sobre os avanços da tecnologia, nomeadamente o futuro da mesma, da robótica e, especialmente, da inteligência artificial. Falava-se em fabricar computadores inteligentes, com capacidade de aprender e, eventualmente, tornarem-se mais inteligentes que nós, humanos. Uma inteligência deste tipo seria capaz de tomar as suas próprias decisões, o que, associado à tecnologia e à arte plástica de tornar um ciborgue igual a um ser humano em termos de aparência, punha a questão de as máquinas virem a ter direitos.

Um senhor, não sei o nome, infelizmente não memorizei, tal era a minha indignação para com as suas palavras, até disse que se viria a colocar a hipótese de as máquinas terem direitos semelhantes aos de um ser humano! Máquinas! Ele disse algo do género, "Quando se chegar a uma tal inteligência artificial, não podemos simpelsmente desligar a tomada. Se uma máquina é inteligente o suficiente para nos pedir para não o fazermos, então como poderemos fazê-lo?".

Isto irritou-me profundamente. A sério, como podem pensar em dar às máquinas direitos semelhantes aos de um humano, e desacreditar completamente os nossos vizinhos não-humanos, que desde sempre partilham connosco o planeta (nem sempre da melhor forma, graças à nossa egocêntrica maneira de ser que nos faz simplesmente ocupar um espaço que não era nosso sem sequer pensar duas vezes na quantidade de animais indefesos que vamos desalojar)?

Acho que antes de pensar em dar semelhantes direitos a máquinas, devia fazer-se o mesmo com os animais. Eles não são simplesmente "bichos", e aliás, nunca compreendi bem porque é que eles são "animais" e nós não. Eu refiro-me aos não-humanos como "animais" por simples força do hábito, mas compreendo perfeitamente que os humanos também são animais. São seres orgânicos que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem, são seres organizados que têm sensibilidade e movimento próprio. Esta história de os animais serem racionais ou irracionais, para mim é uma treta e não passa disso. Não me venham cá dizer que as minhas gatinhas são irracionais, porque qualquer "mãe" como eu sabe que os nossos amiguinhos de quatro patas pensam tão bem ou melhor que os nossos amigos de duas patas, não se baseiam apenas no instinto. Até na linguagem os humanos tentam distanciar-se dos não-humanos, como se fosse degradante considerarem-se na mesma categoria. Pois eu digo que estamos na mesma categoria, e com muito orgulho e nenhuma vergonha.

Daí que eu não ache certo que se pense em dar os direitos de um humano a uma máquina, sem sequer pensar em dá-los primeiro aos não-humanos.

Uma máquina é uma máquina e nunca deixará de o ser, por muito parecida que seja com um ser humano. Não acredito que os humanos e os não-humanos sejam apenas um conjunto de células interligadas, semelhantes a um circuito. Não acredito, como já referi noutro post, que a nossa personalidade e a nossa maneira de ser e de entender o mundo (tanto os humanos como os não-humanos) se resuma ao que existe no nosso cérebro. Acho que é algo que transcende o físico, acredito na Alma, no Espírito, no que lhe quiserem chamar (sem qualquer tipo de religiosidade associada, entenda-se). Uma máquina não tem isso, uma máquina é um conjunto de circuitos. Não tem Alma, logo não é um ser orgânico. É algo criado por mão humana, algo artificial. Por muito que se queira imitar a realidade, mesmo que até à perfeição, não passa de uma cópia.

Uma cópia não merece os direitos do produto original.


Zara

quinta-feira, 18 de junho de 2009
Zara.

Este post é para ti.

Faz hoje um ano que nos deixaste, e para trás ficou um enorme vazio que nunca voltará a ser preenchido. Chegaste a nós, pequenina, com não mais de 3 meses, numa noite de Novembro de 2006. Provavelmente vieste no motor do carro, não se sabe como não te magoaste. Só demos conta no dia seguinte, quando o meu pai ia a sair para trabalhar e ouviu miar na garagem. A minha mãe foi imediatamente buscar-te... tinhas feito um cocózinho no chão, e assim que te viste no colo não paraste de fazer ronrom. Vinhas suja de óleo e pó, e cheia de pulgas, e a minha mãe deu-te dois banhos de água morna, e tu nunca paraste de ronronar. Querias comer este mundo e o outro, e tivemos de te refrear para não comeres até rebentar. Eu já estava no ISEL quando me ligaram a dizer o que tinha acontecido, e fiquei radiante, apesar de ainda não saber se íamos ficar contigo. Mas pelos vistos a tua magia era tão grande que nem sequer foi preciso convencer o meu pai. Nessa primeira noite, quiseste dormir com a minha mãe, e exigiste estar sempre virada para ela... se calhar tinhas medo de acordar e ela não estar lá. Agora vivo esse teu medo todos os dias, quando acordo e tu não estás cá.


Depressa te tornaste irmã da Zuka, e deste o teu melhor para conquistar a Lili... estiveste quase. Passaste connosco um ano e meio que pareceu durar muito menos que isso. Deste-nos muitas alegrias, foste um pé de vida cá em casa, e quando nos deixaste a casa pareceu ficar vazia. Eras tu que andavas sempre atrás de nós a pedinchar qualquer coisa, ou a roubar coisas para brincar.


Tenho o teu retrato na parede, acima da cabeceira da cama, e não deixo que passe uma noite sem que olhe para ele, me lembre de ti, e te dê um beijo de boa noite. Beijar vidro não é como beijar a tua cara fofinha e peluda, mas eu tento lembrar-me da sensação e quase sinto de novo os teus pêlos nos meus lábios.

Foi tudo tão de repente... eu vinha do ISEL, de um teste que acabou tarde, às 21:30h, e quando ia a caminho de casa informaram-me de que tinhas caído da janela. Não fiquei demasiado preocupada... pensei que tivesses partido uma perna ou algo do género. Quando liguei ao meu pai a perguntar como estavas... custou-me a processar o que ouvi ao telemóvel. "Olha, morreu.". Como se responde a isto? Num momento eu voltava do ISEL satisfeita, o teste tinha-me corrido bem, voltava para casa, para junto das minhas 3 lindas meninas, e de repente descubro que já só tenho duas. A mais novinha, mais cheia de vida, mais curiosa, mais brincalhona, mais saudável... deixou-nos. A notícia foi devastadora, para toda a gente. Ainda nem tinhas dois anos...

Não sobreviveste porque não fomos a tempo. A minha mãe voltava duma caminhada tardia, perto das 22:15, e viu um gatinho preto deitado encostado ao prédio, ao pé das garagens. Foi fazer-lhe uma festinha... e viu que eras tu. Havia sangue. Os meus pais levaram-te imediatamente ao veterinário, mas não duraste nem 5 minutos com oxigénio. Saíste de lá numa caixa. Deves ter ficado na rua a sofrer durante cerca de duas horas... e provavelmente foi isso que te matou... se ao menos tivesses sido descoberta antes...


Chorámos-te, e cada um lidou com a dor como conseguiu. A minha mãe tentou esquecer, o meu pai nem falou do assunto, eu tentei lembrar-me de todas as coisas que fazias. O modo como só bebias água da torneira da cozinha, de como lhe davas turrinhas sempre que querias que a abríssemos para beberes... o modo como vinhas ter connosco quando chamávamos o teu nome... o modo como te encostavas ao frigorífico a miar, a pedir peixe cozido, e, mesmo que não houvesse, tu tinha-lo, porque alguém ia cozê-lo de propósito para ti... o modo como tu eras curiosa... se te fosse mostrado um objecto que nunca tinhas visto, por mais comum que fosse, tu aproximavas-te imediatamente e pegavas-lhe com as duas mãozinhas, a cheirá-lo, para logo a seguir perderes o interesse... o modo como estragavas todos os arranjos de flores artificiais, tirando-lhes partes e brincando com elas pela casa toda... o modo como eu atirava uma bolinha de folha de alumínio ou de papel, e tu ias buscá-la, trazia-la na boca e deixava-la no chão, aos meus pés, para que a atirasse de novo... o modo como falavas com a Lili sempre que passavas por ela... as cócegas que tinhas na barriga... os teus lindos olhos castanhos, que mudavam para verde consoante a luz... o modo como todas as noites, antes de dormir, ias afofar na minha mãe... não falhava, todos os dias tinhas de o fazer, senão não dormias... o modo como pedias para vir para a minha cama, a puxar o topo dos lençóis com a mãozinha, e eu levantava-os e deixava-te entrar... o modo como pedias para ver a rua da janela, e eu ia pôr-te a trela com a ponta presa à mesa, para não ires para o parapeito, e quando te fartavas deitavas-te na mesa à espera que te tirassem a trela... mas nesse dia tinham-te deixado ver a rua sem trela, e tu saíste para o parapeito e ninguém deu conta... Fecharam a janela, pensando que tinhas ido para outra parte da casa, e tu ficaste do lado de fora... O parapeito é estreitinho, não chega a ter 10cm de largura.

Acredito que as coisas acontecem por uma razão, e acho que esta tragédia aconteceu por duas.

A primeira foi ensinar-nos uma lição: proteger aqueles que amamos, para que nenhum mal lhes aconteça.

A segunda... foi salvar a Lili. Zara, se não nos tivesses deixado, não teríamos adoptado a Zita, ela não teria caído da janela e nós não teríamos falado à médica sobre o estado da Lili durante uma das consultas da Zita.

Não tiveste muito tempo de vida, mas cumpriste o teu grande objectivo. Enriqueceste as nossas vidas e os nossos corações, pois apesar de o vazio continuar cá, também temos memórias maravilhosas do tempo que passaste connosco.

Espero que estejas em paz, e acredito que ainda estás junto de nós. Encontrar-nos-emos de novo. Até lá, resta-me recordar-te, até ao fim dos meus dias.

Um grande beijo para ti, de toda a família. Fazes-nos muita falta.




Parabéns Zita!

quarta-feira, 20 de maio de 2009
20 de Maio de 2009. Hoje a minha "Zikitita" faz ano! Sim, "ano". É só um.


O tempo voou desde que este bicho esganiçado nos apareceu em casa, com um feitio de extremos e apenas um mesinho de idade, traquina como nunca tínhamos visto. Ela cresceu muito, ganhou peso e experiência, mas não perdeu a vontade de brincar nem a "veia artística". Continua a partir vasos, e a tirar a areia do areão só mesmo para se divertir, continua a correr pela casa fora tão depressa que até derrapa nas curvas, em acessos de energia que até sente necessidade de verbalizar, e então anda por aí aos berros enquanto corre. Pelo menos já não trepa pelas cortinas acima. Acho que ficou demasiado pesada para isso, e ainda bem, senão já só tínhamos os farrapos das cortinas.

Como foi um dia especial, a prenda dela foi uma saqueta de comida húmida para gato, que ela tanto gosta. Pena que não foi da marca preferida dela, mas algumas pessoas cá de casa andam armadas em forretas. Enfim, teve de servir. Ela não pareceu queixar-se demasiado.

Ficam aqui algumas fotos que tirei ao longo do crescimento dela, bem como o primeiro vídeo só dela, de quando veio cá para casa com um mês de idade.




Cliquem nas fotos para aumentar, se quiserem vê-las com mais pormenor.




E é isto. Espero que tenham gostado das fotos. E mais uma vez, parabéns "Kitita"! ;D

Direitos dos Animais

quinta-feira, 23 de abril de 2009
Hoje à noite, na sic, o debate do Aqui e Agora visa os direitos dos animais.
Já dei o meu contributo, enviando ontem à noite um e-mail para o endereço fornecido no site (aquieagora@sic.pt), e já votei na página do debate na sic ( http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/aquieagora/Artigos/Direitos+dos+Animais.htm ). Não consegui deixar um comentário porque, como os que costumam ler o blog já devem ter reparado, não consigo conter-me o suficiente para expressar a minha indignação por poucas palavras, e os comentários estão limitados a 500 caracteres. 
Sugiro a todos os interessados que deixem também o vosso contributo enquanto é tempo, pois, no site, a votação não está a favor dos nossos amigos animais. O que perguntam às pessoas é se estão de acordo com a proibição das touradas em Viana do Castelo, e o "Não" está a ganhar. Toca a votar no "Sim", pessoal! E, se quiserem, deixem também um comentário. Infelizmente ainda há muita gente com mentalidades antigas, e temos de fazer força para que os animais tenham os seus direitos, pelo menos no nosso país. Vou postar aqui o mail que enviei para a sic, que, apesar de ligeiramente longo, tive de resumir e deixei algumas ideias de lado, e espero os vossos comentários nesta matéria.
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Soraia Costa to aquieagora 
 show details 10:03 PM (14 hours ago) Reply  


Boa noite.

Venho por este meio exercer o meu direito de manifestar opinião no que diz respeito ao assunto do vosso próximo debate, que visa os direitos dos animais.

Pessoalmente, sou contra TUDO o que encoraje os maus tratos a qualquer tipo de animal, especialmente contra certos hábitos que a nossa sociedade adquiriu ao longo das gerações.

Touradas, lutas de cães, caça como desporto, tudo isto é por mim considerado como a mais pura e simples barbaridade e desrespeito para com os nossos amigos, os animais. Falo, eu própria, como "mãe" de quatro lindas gatinhas e amante dos animais desde tenra idade.

Quanto às touradas, gostaria de saber como é possível que as pessoas se deleitem com o sofrimento do touro na luta injusta que é a tourada (sim, luta injusta, porque, ao fim e ao cabo, é touro contra toureiro, e o toureiro vai para lá com ferros e a cavalo, ao passo que o touro vai sozinho e sem os chifres afiados). Não são considerados sentimentos humanos a compaixão e o amor pela vida? Não conheço qualquer religião que não ensine isto, e devia estar mais que enterrado nos valores e nos bons costumes das pessoas de bem que devemos respeitar todas as criaturas. Então, como é possível renunciar a tudo isso e achar divertido o sofrimento do touro? Acham que aquilo é um espectáculo, como se fosse um concerto ou um jogo de futebol. Não está certo.

As lutas de cães são igualmente macabras, tanto para os cães, que lutam até à morte para agradar aos seus donos, e são tratados como objectos nas mãos deles, criados e ensinados para obedecer apenas a eles e atacar quando eles disserem, tanto para os pobres pequenos animais que são usados como isco para os atiçar. Não está certo.

A caça como desporto é totalmente descabida na época que vivemos, porque é mais caro comprar e manter equipamento de caça do que ir comprar carne ao supermercado. Isto significa que quem caça são somente as pessoas que sentem prazer de matar. Não está certo.

Ainda há pessoas cruéis, que lá por não gostarem de animais se divertem a fazê-los sofrer. Lá porque o gatinho do vizinho invadiu o nosso quintal não quer dizer que seja o nosso direito envenenar o pobre bichano. Não está certo.

Quem tem animais de estimação, normalmente considera-os membros da família, e são, realmente, membros da família. Dedicamos-lhes muito amor e carinho, que é todo retribuído, às vezes até em dobro, e, no entanto, neste país o estado não reconhece o estatuto e a importância que os animais, cada vez mais, têm nas nossas vidas. Todos os cuidados veterinários são pagos, por inteiro, pelo dono do animal, ao contrário do que acontece para os cuidados médicos dos humanos. O mesmo se diz quanto aos seus medicamentos. São despesas que não entram no IRS, e que toda a gente que tem animais e gosta deles tem de fazer sair da carteira, para manter esses membros da família saudáveis. Não está certo.

Acho bárbaro, também, o uso de peles de animais não comestíveis em grande escala, para fazer roupa e acessórios de moda. Não se usam peles humanas para fazer um casaco, pois não? Então que direito temos nós de fazer um casaco de pele de leopardo, por exemplo? Que se usem peles de vacas ou coelhos, não tenho nada contra, porque, já que os comemos, não há nada de errado em aproveitar as peles. Ainda por cima, os métodos usados para matar esses animais só por causa da pele são terríveis, pois visam não danificar "a mercadoria". Normalmente, pelo que ouvi, e vi imagens, são usadas barras de metal que se inserem no ânus do animal, e assim os animais são electrocutados até à morte e a pele fica intacta. Não está certo.

Como nota final, acho que os animais são extremamente mal tratados nos matadouros. Compreendo que estejam em causa factores financeiros e que seja caro providenciar melhores instalações, mas mesmo assim acho cruel que os animais que servem para um propósito tão específico, e tão necessário, sejam tratados como se não passassem de mercadoria, tanto nos matadouros como no transporte para os mesmos. Já se sabem de casos em que galinhas, vacas e outro tipo de animais vão tão atulhados nos camiões de transporte que é normal que muitos cheguem com patas partidas ou até sem vida ao seu destino. Não está certo.

Sinto que ficou muita coisa por dizer, mas o mail já vai longo e não quero que o descartem por "preguiça". Despeço-me, assim, e fazendo votos para que o debate seja positivo e sirva para sensibilizar as mentes mais retrógradas das pessoas que não vêem os animais como seres vivos, seres vivos esses que merecem todo o respeito que dedicamos às pessoas e que, consequentemente, merecem melhores direitos. 

Cumprimentos,

Soraia Costa, Vale da Amoreira
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Fico, então, à espera dos vossos comentários sobre este tema, e espero sinceramente começar a ver mudança neste país de tradições cruéis e mentes macabras e retrógradas. 

A falar é que nos entendemos

terça-feira, 17 de março de 2009
Hoje em dia, dominar uma segunda língua é quase tão importante como dominar a língua materna. Isto, penso eu, é um facto adquirido.

Primeiro ponto:

Antes de querer aprender uma segunda língua, há que dominar a primeira! Meus amigos, eu já não sei como ainda fico admirada com a quantidade de pontapés na gramática que oiço e leio todos os dias. Os mais comuns são, por exemplo, o "devias de", o acrescento do "s" na conjugação de verbos no pretérito perfeito da segunda pessoa ("tu ouvistes", "tu fizestes", ...) quando estes estariam correctos na 5ª pessoa ("vós ouvistes", "vós fizestes", ...), "há-des" em vez de "hás-de", entre outros que são próprios de imigrantes cá em Portugal e que não sei se podem ser ouvidos noutro sítio que não seja aqui, na zona onde moro, erros esses que ainda são mais ultrajantes que os anteriores ("eu vi-lhe" em vez de "eu vi-o", "à minha trás" em vez de "atrás de mim", etc).

Além destes que podem ser detectados oralmente, existem outros, escritos, que demonstram o quão pouco instruídas as pessoas são, no que diz respeito à nossa língua. Exemplos desses erros são o não saber distinguir quando se escreve "há", "á" ou "à", o não saber como colocar o hífen (o "tracinho") nos verbos quando a estes estão adjacentes os pronomes pessoais átonos ("me", "lhe", "te", ...). Já vi verbos escritos no pretérito perfeito (o "passado") com hífen onde este não devia existir. Por exemplo "acabas-te" em vez de "acabaste". O primeiro está no presente e o "-te" é um pronome pessoal átono, lê-se "acÁbas-te" e sugere "alguém que se acaba a si próprio". Como é que escreveriam o pretérito perfeito do verbo mantendo este erro? Teria de ser com dois hífens. "Acabas-te-te". Ora, meus senhores, tal coisa não se faz. O segundo está no pretérito perfeito, lê-se "acabÁste" e sugere que alguém acabou alguma coisa, mais concretamente, "tu acabaste alguma coisa".

Erros destes e de outros tipos são o que hoje em dia se vê bastante por aí, e não devia. Eu culpo as escolas, porque não existe um grau de exigência suficientemente elevado. Um aluno mal sabe escrever duas frases seguidas sem dar um erro e mesmo assim é passado a Língua Portuguesa. Deviam ser mais exigentes, deviam chumbar quem dá erros destes quando devia estar a um nível muito superior. Na primária, tudo bem que seja admissível, os miúdos ainda estão a aprender, mas daí para a frente acho um disparate fechar os olhos a coisas assim. Outra coisa que não se faz o suficiente em Portugal é a promoção do gosto pela leitura. Querem pôr os alunos a ler livros clássicos na escola e não há estímulos, quer na escola, quer em casa, quer em qualquer outro sítio que a maioria dos miúdos frequente, que promovam a leitura por auto-recriação. Em vez de ler, os miúdos e os graúdos passam cada vez mais tempo em frente à televisão ou à consola de jogos, e os programas que vêem, frequentemente, não são minimamente educativos. Não fazem nada que lhes puxe pela cabeça, e por isso são cada vez piores na escola. Até parece que, cada vez mais, ter más notas e não se importar com isso é símbolo de estatuto nas escolas. "Ena, aquele gajo é um g'anda baldas, 'tá-se a c*gar p'rá escola. É 'memo' fixe!". Esta atitude está a transformar as escolas em "fábricas de vândalos", porque jovens assim não encontram futuros promissores e, por isso, muitas vezes decidem que a única alternativa é virarem-se para o crime.

Até há bem pouco tempo, eu própria também não nutria um gosto pela leitura, via (e ainda vejo) muita televisão, passo muitas horas ao computador e de vez em quando sirvo-me da minha PS2, mas a diferença, acho, é que eu interesso-me por variadíssimos temas e uso a televisão e a internet como fontes principais para me instruir sobre eles. Vejo imensos documentários sobre Astronomia, Medicina, Ciência e Tecnologia, Arqueologia, Geologia, entre outros. Sempre tive diversas áreas de interesse e acho que isso é que me salvou de me tornar um mero espelho dos reality shows e dos videoclips da actualidade.

Nunca tive paciência para a leitura, e tudo o que lia era sempre por causa da escola. Obrigaram-me a ler Os Maias (acho que só li até ao capítulo 9... coisa mais enfadonha!!) e A Aparição, assim como os livros de História até ao 9º ano (até dei pulos de alegria quando me livrei daquela maldita disciplina). Quando tinha de estudar História, a minha maior dificuldade era mesmo manter-me acordada a seguir aos primeiros parágrafos que lia. Entendo que para poder entender o presente e antecipar o futuro há que compreender o passado, mas bolas, podiam dar alguma História que não fosse datas e reis, algo com mais interesse, ou então dar a disciplina de maneira diferente, mais estimulante, porque aquilo para mim era um martírio.

Mas um dia decidi que queria ler. Algures no ensino básico tinham-me mandado ler um excerto do livro Odisseia, de Homero. Li o que dizia respeito à história de Ulisses, de maneira resumida. E o que é certo é que li, reli e voltei a reler por mais de uma vez, porque me agradava. Por isso quis comprar um livro com uma história que eu achasse que iria gostar. E foi assim que comprei o meu primeiro livro de fantasia/ficção, e devorei-o. Não me vou pôr aqui a recomendar livros (pelo menos por enquanto... tenciono postar alguns comentários acerca do que tenho lido), mas o que é certo é que comecei a gostar tanto de ler que às vezes até dou por mim, com um livro aberto, a admirar a beleza das letras e da forma como se unem umas às outras! Afinal eu tinha gosto pela leitura, só precisava de o descobrir. A partir daí não tenho parado de ler, e já me passaram pelos olhos muitos milhares de páginas.

Esta conversa toda foi para dizer que, para promover o gosto pela leitura e assim fazer com que os jovens dominem melhor a nossa língua, não se pode esperar que eles leiam com gosto os livros que são obrigatórios no ensino actual. Escolham autores actuais, portugueses, e seleccionem um livro de diferentes temas (um romance, um policial, etc). E nos testes fazem-se perguntas sobre todos os livros opcionais, mas o aluno só responde às perguntas relativas ao livro que leu. Assim promovia-se o gosto pela leitura, os jovens saíam da escola com bons hábitos de escrita e um maior domínio da língua portuguesa e todos ficavam felizes!

Segundo ponto:

A grande maioria das pessoas escolhe o inglês como segunda língua, aquela em que mais investe, a seguir à língua materna.

O que eu acho que está errado no ensino do inglês é a facilidade com que se passam os alunos e a negligência que existe quanto à correcta pronúncia das palavras. No ensino básico, tive só inglês do 5º ao 9º, e a partir do 5º poucas foram as coisas novas que aprendi, porque a grande maioria dos meus colegas não sabia, nem se ralava, com o que tinha aprendido ao nível mais básico. Daí que, em todos os anos lectivos, se estivesse sempre a repetir a mesma coisa. Era como se, do 5º ao 9º ano, os alunos nunca tivessem visto inglês à frente. Uma coisa impressionante.

Como não podia esperar que me ensinassem algo novo nas aulas, e como sempre adorei inglês, fui aprendendo sozinha, quer à custa da televisão, quer à custa de jogos, quer à custa de música. E penso que a minha aprendizagem foi bem mais completa do que a que se dá nas escolas, porque eu dei-me ao trabalho de prestar atenção a tudo. Às palavras que se diziam (se não as conhecia ia ver ao dicionário, contribuindo assim para alargar o meu vocabulário), à maneira como se conjugavam e, muitíssimo importante, à forma como se pronunciava cada palavra.

Meus amigos, não me venham com histórias, o que é certo é que a pronúncia é tão importante como o vocabulário, porque nós, no dia a dia, comunicamos, principalmente, falando. Sempre comunicámos através de sons, sons esses que se converteram em linguagens muito antes de existirem formas de escrita! E se ainda não se convenceram de que a pronúncia é tão ou mais importante que o vocabulário, digam-me porque é que os jornalistas se incomodam a pôr legendas quando se fazem entrevistas a pessoas naturais dos Açores ou da Madeira. Afinal de contas, aquelas pessoas estão a falar português. Para quê usar legendas? Porque, como a pronúncia é tão diferente, nós, cá em Portugal Continental, temos uma grande dificuldade em compreendê-la.

Então, para quê aprender inglês sem ligar à pronúncia, se quando o formos a pôr em prática ninguém entender o que dizemos?

A pronúncia é muitíssimo importante e, infelizmente, é menosprezada, e por isso é que eu chego ao limite dos nervos todos os dias, quando estou nas aulas, no ISEL, e não há um único engenheiro que consiga empregar os termos técnicos da disciplina que lecciona sem tropeçar no inglês. Eu já ouvi "dévlópment" em vez de "development" (lê-se "devélopment"), "garbeige" em vez de "garbage" (lê-se "gárbage"), "manégement" em vez de "management" (lê-se "ménagement"), "paramiter" em vez de "parameter" (lê-se "parémeter"), entre muitos outros que me fazem querer saltar da cadeira e desatar ao estalo ao engenheiro que estiver a mandar aquelas bacoradas. Controlo-me, claro está, mas acreditem que fico com os nervos em franja.

As aulas de inglês deviam dar mais ênfase à componente oral, deviam fazer testes mais sérios para a avaliação dos alunos no que diz respeito à pronúncia em vez de se concentrarem apenas no vocabulário e na gramática. Afinal de contas, o inglês cada vez é mais necessário, por ser uma língua altamente globalizada, e se, nos requisitos para um posto de trabalho, pedem que a pessoa que se candidata à vaga saiba inglês, é porque, certamente, será preciso falar inglês com pessoas que não entenderiam português. De que serviria saber de cor um dicionário inteiro de inglês, se a pessoa com quem estamos a falar não entende patavina do que dizemos, porque temos uma pronúncia negligente?

Peço desculpa pelo post longo, mas esta era uma frustração antiga que queria sair há muito tempo, e também já lá vão alguns dias desde o meu último post. Tenho pena, porque sei que este post não deve chegar aos ecrãs de muita gente, e penso que o ensino português beneficiaria das sugestões aqui presentes.

Lili - Parte III

terça-feira, 3 de março de 2009
Hoje a Lili veio para casa.

Fomos buscá-la ao veterinário às 20h, portanto ainda teve um tempo de internamento razoável. Lá chamaram-lhe fera, porque ela só é simpática para quem conhece. Pelo que a doutora disse, não foi muito fácil tirá-la da jaula para a pôr na transportadora para vir para casa.

Já comeu qualquer coisa durante o dia e já fez muito chichi, foi o que nos disseram. Marcaram-lhe consulta para Domingo, às 11h, para mudar o penso ... Provavelmente vai ter de tomar um calmante, senão não fazem nada dela. Não conseguem fazer com que ela use o funil, por isso tem de andar com casaco, para não se lamber.

Supostamente, ela devia estar em repouso cá em casa... mas quem é que pára esta mulher? Qual quê, parecia um gatinho bebé a conhecer a casa nova. Percorreu todos os cantinhos a ver se o reino dela estava tal como ela o tinha deixado, e não descansou enquanto não confirmou que estava tudo em ordem.

Quis logo saltar para a mesa da cozinha, e da mesa para o balcão. Tivémos de intervir, senão o mais provável era que rebentasse uns quantos pontos. Mas ninguém faz aquela gatinha mudar de ideias, por isso a solução foi pôr uma cadeira entre a mesa e o balcão, para que, ao menos, os saltos sejam reduzidos. Ela só gosta de beber água no balcão, são raras as ocasiões em que a bebe da tigela que está no chão.

Já subiu as escadas para o meu quarto e já saltou para a minha cama... Esta gatinha não conhece o significado da palavra "repouso". Mas como é que se restringe um gato? Não a podemos prender com uma trela à perna da mesa da cozinha... É suposto ela ficar confortável. Portanto teremos de deixar que ela decida o que é melhor para ela, pelo menos nas questões que estão fora do nosso controlo.

Ainda não quis molestar a menina com fotos, e por isso é que este post fica só com texto, mas assim que ela estiver mais calma tiro-lhe umas quantas. Se possível, também tiro ao penso, para verem a extensão daquela coisa, e a gravidade da cirurgia a que ela teve de se sujeitar.

É uma velhota valente, a minha menina, e estou muito contente por ela ter voltado para casa.

Coisas que Acontecem

segunda-feira, 2 de março de 2009


Provavelmente, estão a perguntar-se porque raio é que a nossa Zita tem uma bota nova. Meus caros, não permaneçam na ignorância, pois eu estou aqui para vos esclarecer.

Ora então a nossa menina cai da janela e sai com dois ou três arranhões, e não é que aproximadamente uma semana mais tarde, em casa, na brincadeira, parte um osso do pé?

Contado ninguém acredita... mas quem não vive com ela vai ter de acreditar, pois não há outra forma de o saber.

A coisa passou-se da seguinte forma:

Ontem, Domingo dia 1 de Março de 2009, estava eu na brincadeira com as minhas duas filhas mais novas, a atirar-lhes uma bolinha de papel para elas correrem pela casa toda, quando a Zita, num início de corrida no quarto do meu pai, quer saltar para cima da cama, mas a partir da parte traseira, onde tem a tábua dos pés da cama.

Não sei como é que ela fez, mas deve ter batido com o pézito esquerdo na tábua, porque ela foi logo para o chão, aos berros e sem pôr a patita no chão. Não deixava que nos aproximássemos dela, por isso tivemos de manter distância enquanto a menina ia ao pé-coxinho para a varanda e se refugiava na casinha que temos lá para elas. Estava toda a tremer, e berrava de cada vez que se mexia.

Aguardámos cerca de uma hora para ver se a dor passava, porque podia ter sido só uma batida muito dolorosa mas sem consequências graves, mas, infelizmente, a dor não passou, o pézinho começou a inchar e ela continuava sem o pôr no chão.

Levámo-la, então, ao veterinário, até porque nós andamos numa maré de "sorte" neste fim de Fevereiro/início de Março, que tem sido só despesas com as gatitas. A Zuka é a única que ainda não se estreou, e esperemos que assim continue.


Ora então, chegando lá, fomos atendidos em pouco tempo, e a médica levou a menina para tirar um RX. Acontece que a Zita partiu um osso do pé, do género fininho que faz a ligação aos dedos, chamado metatarso. No fundo até teve alguma sorte, porque este até é dos ossos melhores de se partir (isto é, que se curam mais facilmente). Como o que ela partiu foi um dos do meio, os outros ao lado já lhe dão algum suporte, e não precisa de usar gesso. Em vez disso fizeram-lhe aquela bota com algodão e ligaduras... E a menina bem se queixou a fazer o penso. Tentou mandar a unha à médica umas duas vezes, mas num instante ficou tratada. Trouxe anti-inflamatório para cinco dias, e tem consulta marcada para sexta-feira, às 10h.



Enfim, são coisas que acontecem, pequenos acidentes, mas que, no fim, nos custam para cima de 60€, mais o que se paga pelas pequenas coisas que se fazem no seguimento do tratamento. O que importa é que a menina está relativamente bem, e daqui por duas ou três semanas vai poder tirar o penso. Presentemente, é tratada com todas as mordomias, para que não tenha de se esforçar demasiado. Caminha feita onde ela quer, com comidinha ao lado e, se a menina tem frio, tapamo-la e aconchegamo-la convenientemente, para ela lá ficar a dormir, como um anjinho.

Lili - Parte II

Hoje a Lili foi operada.

Levei-a ao veterinário às 10h, como tinha ficado combinado, e ela, como é costume, chorou durante toda a viagem, e quando lá chegou quis sair da caixa. Estive com ela ao colo, e ela ficou sempre muito atenta a olhar em volta, a ver tudo. Tive de a meter na transportadora de novo, para assinar os papéis da cirurgia (anestesia e orçamento), e foi então que a recepcionista me disse para lhe dar os últimos beijinhos, porque já a iam levar lá para dentro.

Peguei de novo na minha menina e, como se ela soubesse o que se ia passar, perdeu a curiosidade anterior e ficou quietinha no meu colo enquanto eu lhe beijava a cabeça e lhe fazia festinhas. Foi-me impossível conter as lágrimas, mas tive de entregar a minha menina à doutora que a levou para dentro. Vi-a pela última vez, de relance, nos braços da médica enquanto a porta do consultório se fechava. Paguei e fui-me embora.

Já em casa, esperava ansiosamente pela hora em que o médico com quem acertei os pormenores da cirurgia me tinha dito que deveria ligar, mas o tempo parecia teimar em atrasar-se. A hora chegou e passou, e nada. O telemóvel continuava inanimado. Uma hora depois, ligámos para o veterinário, para perguntar se estava tudo bem, e disseram-nos que a cirurgia estava a decorrer. Esperámos.

Finalmente, há apenas alguns minutos atrás, o telemóvel tocou. Receosa, atendi... Mas os meus receios depressa morreram, pois o médico só tinha boas notícias para me dar. Correu tudo bem, conseguiram retirar todo o tumor, incluindo a tal outra bolinha que ela tinha, que durante anos não passara de uma bolinha de gordura mas que, agora, já estava a ficar tumoral. Tinha uma grande infecção uterina, o que complicou a cirurgia, mas conseguiram esterilizá-la com sucesso e controlar a situação.

Minha querida menina... Mesmo tonta da anestesia, debateu-se e recusou usar o funil. Provavelmente, a solução vai ser mesmo vestir-lhe o casaco.

E pronto, estou muito mais descansada! A minha menina está bem. Não sei quando vai ter alta, mas é hoje ou amanhã. Tudo vai depender do bem-estar dela. Se ela aceitar bem a comida e fizer as necessidades como deve ser, é provável que venha para casa já hoje. Tudo vai depender dela. O que é certo é que, se ela estiver bem, é muito melhor para ela que a sua recuperação seja feita num ambiente familiar, e não na jaula de um hospital veterinário, por muito boas que sejam as suas instalações. Logo veremos.

Por agora, resta-me aproveitar a sensação de alívio que este telefonema me trouxe, e antecipar o momento em que terei, de novo, a minha companheira de infância nos braços, com a promessa de saúde vindoura, esperemos que por mais alguns anos.

Lili - Parte I

sábado, 28 de fevereiro de 2009
Lili.

Connosco há mais de 15 anos, esta gatinha é amiga, inteligente, meiga e pachorrenta, sem deixar de ter personalidade (não se pode obrigar esta menina a fazer nada que não queira, porque ela não se priva de usar as garras se preciso for).

Em Novembro de 2003 apareceu-lhe uma bolinha na barriga. Reparámos nela quando era ainda mais pequena que uma ervilha. Cresceu lentamente, e em Novembro de 2004 estava ligeiramente maior, mas não tinha pêlo e a pele estava com tons arroxeados. Levámo-la ao veterinário, e a médica não nos deu esperanças nenhumas. Disse que não estava com bom aspecto, e que se fosse um tumor não a operavam por causa da idade dela. Na altura tinha 11 anos. Receitou-nos uma pomada para tratar a irritação da pele, que se devia, provavelmente, ao facto de aquilo lhe fazer impressão e ela estar sempre a lamber-se.
Com a continuação da aplicação dessa pomada a pele melhorou, e a bolinha pouco mais cresceu. Mexia-se bem na pele e tudo, portanto chegámos à conclusão que não se tratava de um tumor.

Já no ano passado, a história foi diferente. Encontrei outra bolinha no lado oposto da barriguinha dela, ao mesmo nível da outra, em cima, ao pé dos sovacos. Era pequenina também, quase não se via. Mas numa questão de meses ficou do tamanho de uma ameixa. Não a levámos ao veterinário. Afinal, de que nos serviria? Se com 11 anos não a operavam por causa da idade, iriam operar com 14/15? Não. Nem valia a pena fazer a gatinha passar pelo stress da viagem de carro até ao veterinário, dado que ela tem pavor da rua, faz chichi mal entra na transportadora e vai a chorar o caminho todo.

No início de Dezembro de 2008 reparámos que, onde ela se deitava, ficava molhado. Ao dormir com a Lili, a minha mãe reparou que a bolinha dela tinha ficado com metade do tamanho. Aquela coisa estava a deitar pus. Fiquei felicíssima. "Afinal era um quisto, e agora abriu e vai esvaziar. Ela vai ficar bem." dizia eu. Mas, ao contrário do que eu pensava, aquilo não esvaziou. Deitava montes de pus todos os dias, e até parecia crescer. Decidimos pôr-lhe um penso de gaze, com uma ligadura a dar voltas às costinhas dela, e vestir-lhe um casaquinho de lã feito à medida pela minha mãe, para ela não lamber aquela porcaria, porque a menina andava a perder o apetite e estava a emagrecer.

Assim que deixou de lamber aquele pus, começou de novo a comer e recuperou algum peso. Mas aquela coisa crescia de dia para dia e, quando a minha mãe a apalpava, dizia que era duro, que era carne e não um saco de pus. Ela aconselhou-se com uma colega de atletismo dela, que é veterinária, e perguntou-lhe se os tumores deitam pus. A colega dela disse que sim, e a minha mãe perguntou, então, se valia a pena operar a gatinha. A mulher disse que, com a idade dela, a esperança de vida era nula. Tanto podia morrer na operação, como podia durar um ou dois meses e morrer, como podia até durar mais. No fundo, era um risco. Disse que o melhor a fazer era esperar e, quando ela estivesse demasiado fraca para comer ou até andar, dar-lhe uma injecção e acabar com o sofrimento dela.

Pois bem, esperámos. Íamos mudando o penso de 2 em 2 dias, sempre cheio de pus e até sangue, mais tarde. Tentávamos lavar aquela área, mas havia demasiado pêlo empapado em pus, dado que a Lili é de pêlo semi-longo, e ela não nos deixava mexer lá por demasiado tempo. Passou-se o Natal e o Ano Novo, passou-se o Dia de Reis e o mês de Janeiro. Passou-se grande parte de Fevereiro até que... a Zita caiu da janela. Como já tinha contado, levei a Zita ao veterinário e ela ficou lá internada durante a tarde. Fomos buscá-la e a veterinária marcou-lhe uma consulta para a semana seguinte, na terça-feira de carnaval.

Quando levámos a Zita à consulta e constatámos que estava tudo bem com ela, falámos à veterinária sobre a Lili, e o estado em que se encontrava. Ela fazia uma vida normal, e ninguém diria que ela não era saudável se não soubesse do tumor. Perguntámos se valia a pena operá-la, porque a situação estava a tornar-se insuportável... ela cheirava cada vez pior, cada vez saía mais pus e sangue e aquilo crescia de dia para dia. A resposta que recebemos... foi SIM!

Luz ao fundo do túnel, vale a pena operar! Ela disse que um gato da idade dela é mais propício a não aguentar a anestesia, mas que as análises é que dirão se ela pode, ou não, ser operada. A operação de remoção do tumor (e de toda a cadeia mamária daquele lado, para prevenir o aparecimento de outros tumores) custa 200 €. Juntando as análises, aí uns 250 € no total. Mas então lembrámo-nos: A Lili, de vez em quando, deita pus pela vagina... Provavelmente tem infecções nos ovários ou algures no sistema reprodutor, por isso perguntámos, já que ela ia ser anestesiada, se não podiam esterilizá-la também. A médica disse que, assim, já era mais caro, e que não sabia dizer preços. Disse que ia falar com o colega, que é o dono da clínica, e fazer um orçamento, e para ligarmos no dia seguinte para saber em quanto ficava, afinal, tratar da Lili. Fomos embora do hospital veterinário com esperança renovada. Talvez a Lili possa ficar bem.

Ligámos, então, no dia seguinte, e disseram-nos que nos iriam cobrar 450 €, no total, para tratar dela... É muito dinheiro. Eu já estava a ver as coisas mal paradas, quando a minha mãe resolveu passar pelo hospital veterinário enquanto andava a treinar, e falar pessoalmente com o médico (o dono da clínica) e regatear um bocado com ele. Conseguiu baixar o preço para cerca de 380 €, e acordar o pagamento em 3 vezes. Assim, já nos seria possível operar a Lili. Se ela pudesse ser operada, claro.

Mas, antes, era preciso saber se o tumor estava apenas localizado na cadeia mamária, ou se já se tinha espalhado pelo resto do corpo. Era necessário fazer um RX, para verificar se os pulmões estavam limpos porque, se não estivessem, não valeria a pena operá-la. Por isso, ficou marcada uma consulta para quinta-feira, dia 26 de Fevereiro, às 10:30h. Como o meu pai estava de folga nesse dia, ele foi comigo levar a Lili à consulta. Como é costume, ela chorou durante todo o caminho e, mal se viu na rua, fez chichi na transportadora.

Tive de ir com ela ao colo para dentro da sala onde se fazem os RX, porque ela não dá confianças a ninguém que não sejam as donas (nem ao meu pai ela dá confiança suficiente para ele pegar nela ao colo), e tiraram-lhe dois RX, um de cada lado do corpo, e constatou-se que o tumor não estava nos pulmões. Quando a apalpou, o médico viu que o tumor estava parcialmente agarrado, o que não eram boas notícias, porque, normalmente, nestes casos não se consegue remover a totalidade do tumor e ele volta a crescer. Esperemos que consigam remover tudo, porque só uma pequena parte é que está agarrada ao músculo. Como o tumor estava infectado e a deitar pus, e como a Lili não gosta de tomar medicamentos, ele deu-lhe um antibiótico para 14 dias, na veia, e marcou a operação para segunda-feira, dia 2 de Março. Tenho de a levar ao hospital veterinário às 10h e ela tem de ir em jejum, por isso, a partir das 22h de Domingo, não pode comer nada. Pode beber, mas não comer.

Quando ela chegar ao veterinário, na segunda-feira, vão fazer-lhe as análises que dirão se ela está, ou não, apta a suportar uma anestesia geral. Se estiver tudo bem, então a operação deverá começar perto das 12h e acabar pelas 14h/14:30h desse dia. Ficaremos à espera do telefonema para dizer como correu.

Dito isto, e dado que o post já vai bastante longo, só nos resta aguardar, e esperar que corra tudo bem. Por enquanto, aproveitamos o tempo que temos com ela, pois não sabemos se estes dias que nos restam serão os últimos.

Lili, toda a tua família e amigos te desejam toda a sorte do mundo, e as melhoras, para que este seja o começo de uma nova vida, tanto para ti como para nós. Boa sorte, meu amor.